Arquivo de Abril de 2008

A Estônia está mais perto!

Em julho de 2008, receberemos 8 estudantes estonianas para passar um ano aqui. Desde 2003, o Brasil tem crescido como destino de intercâmbio para jovens estonianos. No momento, temos estonianos em Petrolina, Fortaleza, Caxias do Sul, Belém, Caçapava e Lagoa Santa. No ano passado, os estudantes ficaram Gravatal, Brotas, Maricá, Rio de Janeiro, Campinas e Vitória. Com isso, muitos brasileiros aprendem um pouco mais sobre este país jovem e distante, mas muito próximo no coração de tantas famílias brasileiras.
Segue abaixo um depoimento da mãe brasileira de um estoniano em intercâmbio no Brasil no ciclo 2007/2008.

andreas allikma hf - andreas allikma hf
Andreas Allikma: um rosto, a simpatia no olhar, mas a dúvida quanto ao lugar de onde ele vinha. Estônia !!!
Que país é este ??? Existe ??? Onde ??? Nunca ouvimos falar!!!! Então, eu e minhas filhas começamos a pesquisar para sabermos onde se localizava, qual a língua oficial do país, seu clima, entre outras tantas coisas…
Descobrimos que o país de Andreas existia sim. Sua localização era ao norte da Europa, fazendo divisa com a Rússia e Letônia, separado da Finlândia pelo golfo da Finlândia. Sua população, segundo censo de 2000, era de 1.361.242 pessoas para uma área de 45.000 km2. Puxa, Kadrina, sua cidade na Estônia, com um poucomais de 3.000 habitantes… Pequena demais!!! Inverno bastante rigoroso com neve de 75 a 135 dias por ano…
Imaginava alguém muito sério, difícil comunicação com alguém em que o país de origem estava sendo descoberto por nós naquele momento. Pedimos mais candidatos para seleção, no entanto o Andreas já havia nos conquistado. A Sarah insistia para que ele fosse o nosso desafio !!! E assim foi …
Lembro com graça quando fomos buscá-lo no aeroporto de Porto Alegre. Era uma noite muitíssimo fria, e Andreas estava vindo do Rio de Janeiro, vestindo camiseta e camisa de mangas curtas. Perguntei a ele se queria um casaco, e ele me respondeu que não sentia frio, e que estava muito bem daquele jeito. Percebi nesse momento que este estoniano era mesmo muito resistente, e com o passar do tempo ficou claro que não era apenas ao frio. Nosso menino que veio com aviso de que fumava 04 cigarros por dia, foi aceito mesmo não tendo nenhum fumante na casa, e por conta própria fez força para largar o vício. Temos muito orgulho dele, também por este fato.
Jovens têm problemas. “Eu sou louco”, é assim que Andreas fala de si. Mas, ele é encantador, não há melhor companhia para assistir filmes, pelo menos, é o único aqui de casa que não dorme no meio deles. Gosta muito de música, toca teclado muito bem, e está fazendo aulas de bateria aqui no Brasil, pois quer ter a sua banda na Estônia. Temos um pequeno estúdio em casa, Maurício toca muitos instrumentos e tem uma banda, e a Sarah já faz aulas de bateria há muitos anos .. penso que isso o estimulou ainda mais a aprender bateria.
Mc Donalds, sanduíche de bacon e Pizza Hut são a grande paixão de Andreas aqui no Brasil. Andreas foi muito bem aceito pelos colegas de escola, e é muito querido por todos onde quer que esteja … time de futebol, grupo de amigos de meus filhos (que agora são seus amigos também), família, … ele é muito engraçado com o seu jeitinho estoniano de ser …
Agradecemos imensamente a todos que oportunizaram à nossa família o convívio com este “estoniano amado”, que hoje me chama de mami, e que nos mantém em contato com sua família na Estônia, a qual hoje nos parece conhecer há muito, e pela qual temos um carinho muito especial.

Heloisa Broliato

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O mundo é João Ferreira

Mais um texto do nosso rico baú de lembranças dos nossos estudantes e ex-estudantes. Foi publicado no boletim informativo de setembro de 2004.
Antes - Antes
Cara comunidade YFUana, João Ferreira é uma megalópole. Caso vocês não sejam muito bem informados ou sua matéria preferida na escola tenha sido outra que não geografia, vou lhes dar uma mãozinnha - mas por favor, não fiquem mal acostumados. A capital secreta do mundo fica a 15 minutos de Juiz de Fora, tem no máximo 100 habitantes e se resume a uma rua (ou uma viela se preferirem).
Por favor não parem de ler por aqui achando que o autor desse texto está louco. Quando digo que o mundo é onde Judas perdeu as botas ou onde o vento faz a curva é o Mundo, é porque ele realmente é micro.
Bem, acho que é hora de me apresentar - antes que minha mãe leia isso e diga que essa não foi a educação que ela me ensinou, ou pelo menos tentou… Sou Vítor Carvalho Miranda, fiz intercâmbio na Alemanha - bem lá no norte, quase na Dinamarca - em 98/99 e há algum tempo venho tentando ser um ex-intercambista ativo.
A razão para tantas coincidências que vocês verão acontecerem, só pode residir no fato do mundo ser do tamanho de João Ferreira. Quando menos se espera, acha-se alguém conhecido ou que conhece algum conhecido seu.
Quando do meu ano de intercâmbio fiz um estágio no extinto consulado brasileiro em Hamburgo e, dentre outras coisas, fiz alguns vistos. Nesse tipo de procedimento analisa-se as fichas dos requerentes e qual não foi a minha surpresa quando li que um futuro intercambista iria para minha cidade. Algumas páginas a frente fiquei ainda mais impressionado: NOSSA! Ele vai para minha escola! E algumas linhas abaixo vi que ele morava a 1,5 km da minha casa em Westerrönfeld. O mais legal de tudo é que ele foi para a minha turma, e isso é uma enorme coincidência já que há 9 turmas da mesma serie.
Algo parecido aconteceu agora na escola onde estava dando o curso de orientação para os brasileiros que chegaram agora na Alemanha (aproveitando, faço um pequeno relatório da experiência: foi muito legal dar orientação para os tupiniquíns na Kartofelnland, já que os
gringos me suportaram 2 em Language Camps.Tudo correu sem grandes problemas e foi uma experiência gratificante e prazerosa). Qual não foi a minha surpresa quando chega um alemão dizendo que havia morado um ano com sua família na cidade vizinha à Capital Secreta do Mundo, freqüentara a minha escola e por fim tinha tido aulas com minha mãe.
Fato bem interessante também é que fui hospedado por uma ex-intercambista que veio para o Brasil e para quem eu dei aulas de orientação em meu primeiro LC.
Me ocorre agora uma outra curiosidade. Todos os intercambistas que vão para Deutschland tem um encontro no meio do ano para refletir sobre a experiência. Lá tem-se a oportunidade de se rever alguns conhecidos e conhecer pessoas de todos os cantos de João Ferreira, quero dizer, do Mundo. E no meu Mittelseminar conheci a Elsa, irmã da Leonor de Ilhéus (irmã do Geraldo para quem eu dei aulas agora na Alemanha).
Anos depois comecei a namorar uma Alemã que veio fazer um semestre na minha Universidade por meio de um convênio entre a UFJF e a Universidade de Passau. E qual não foi a minha surpresa quando ela estava vendo minhas fotos e reconheceu uma amiga sua: a Elsa irmã da Leonor.
Por todas essas curiosidades, encontros e desencontros, prezados membros do AEI-YFUi, recomendo-lhes atenção redobrada quando quiserem aprontar por aí!
“Êta mundin piqueno, sô!”

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O intercâmbio não tem fim

Há alguns anos publicamos em boletins informativos alguns textos de ex-estudates. Neste blog, publicaremos alguns para que estes ótimos textos não fiquem guardados na gaveta.

Camila e hsis pb 1 - Camila e hsis pb 1Meu nome é Camila. Fui intecambista na Alemanha entre 1999 e 2000 onde morei na cidade de Dresdem, capital da Saxônia, com uma família composta pelos pais (Monika e Ebehard), dois filhos (Stephan e Anna) que moravam na casa e mais uma (Mirjam) que estudava e residia em Berlim. Não preciso dizer que o ano de intercâmbio foi uma experiência inigualável na minha vida, a qual eu venho renovando desde que voltei através de serviço voluntário prestado ao YFU, visita ao meu país anfitrião e recepção de visitantes alemães. Posso e quero falar de todas essas formas que encontrei de manter acesa em minha vida a chama da experiência que vivi, mas vou começar pela visita que recebi em outubro de 2002.
Ainda durante meu intercâmbio na Alemanha meus pais anfitriões já planejavam uma visita ao Brasil para conhecer a minha família, minha cultura, meu país. Poucos meses antes do meu retorno nós já tínhamos feito vários planos, mas só pudemos colocá-los em prática dois anos depois. Meus pais chegaram no aeroporto de Guarulhos bem cedinho aquele dia. Fui buscá-los com um sorriso que vinha de uma orelha até a outra. Só esperava a Moni e o Ebs (forma carinhosa como meus pais são chamados), mas ganhei de presente a companhia da Anna, que veio de surpresa passar umas semanas comigo!
Minha família viajou por quatro estados do nosso Brasil. Começaram por Minas, subiram até a Bahia depois desceram para o Rio para voltar para São Paulo. Infelizmente eu não pude acompanhá-los em todas as viagens, mas fiz o possível para participar ao máximo da experiência de intercâmbio que eles viveram no meu país.
Não sei se vocês já tiveram a oportunidade de trazer para o seu mundo pessoas que vivem uma realidade completamente diferente da sua. Para mim essa foi uma das experiências mais recompesandoras que eu tive até agora. Imaginem vocês as pessoas com quem convivi debaixo de muito frio e neve, num país de primeiro mundo onde tudo funciona com a precisão de uma engrenagem, colocadas na minha frente de chinelo havaiana, blusa do Olodum e nariz vermelho queimado de sol. Imaginem essas mesmas pessoas nadando numa lagoa azul em Ilha Grande (RJ) abraçados naqueles macarrões coloridos que são usados de bóia ou para fazer exercícios de hidroginástica. Imaginem, ainda, essas mesmas pessoas comendo churrasco na chácara da minha avó e tirando foto do pudim de leite condensado para mostrar para os que ficaram na Alemanha todas as novidades que existem por aqui.
Eu poderia passar horas e horas descrevendo para vocês todas os momentos memoráveis que passei com essa família aqui no meu país. Guardo tudo no coração: desde as coisas mais simples como ir ao supermercado ou arrumar a cama até o encontro e a despedida no aeroporto. Foram momentos inesquecíveis que eu só posso desejar que todos tenham a oportunidade de viver um dia.
Acreditem, pois o intercâmbio realmente não tem fim! Isso ocorre porque ele não é exclusivo daquele que pagou o programa e foi viajar. A experiência de intercâmbio envolve os familiares, amigos, futuros colegas de trabalho, namorados, maridos ou esposas, filhos, gente desde o seu cantinho de origem até a sua terra anfitriã. Ele nos acompanhará pelo resto de nossas vidas nas músicas que ouvirmos, nos cheiros que nos trazem lembranças, nas fotos, comidas, cartas, telefonemas e na saudade desse tempo tão mágico que vive escondido num cantinho do nosso coração.
Um beijo grande à todos!!
Camila Teixeira de Almeida

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