O intercâmbio não tem fim

Há alguns anos publicamos em boletins informativos alguns textos de ex-estudates. Neste blog, publicaremos alguns para que estes ótimos textos não fiquem guardados na gaveta.

Camila e hsis pb 1 - Camila e hsis pb 1Meu nome é Camila. Fui intecambista na Alemanha entre 1999 e 2000 onde morei na cidade de Dresdem, capital da Saxônia, com uma família composta pelos pais (Monika e Ebehard), dois filhos (Stephan e Anna) que moravam na casa e mais uma (Mirjam) que estudava e residia em Berlim. Não preciso dizer que o ano de intercâmbio foi uma experiência inigualável na minha vida, a qual eu venho renovando desde que voltei através de serviço voluntário prestado ao YFU, visita ao meu país anfitrião e recepção de visitantes alemães. Posso e quero falar de todas essas formas que encontrei de manter acesa em minha vida a chama da experiência que vivi, mas vou começar pela visita que recebi em outubro de 2002.
Ainda durante meu intercâmbio na Alemanha meus pais anfitriões já planejavam uma visita ao Brasil para conhecer a minha família, minha cultura, meu país. Poucos meses antes do meu retorno nós já tínhamos feito vários planos, mas só pudemos colocá-los em prática dois anos depois. Meus pais chegaram no aeroporto de Guarulhos bem cedinho aquele dia. Fui buscá-los com um sorriso que vinha de uma orelha até a outra. Só esperava a Moni e o Ebs (forma carinhosa como meus pais são chamados), mas ganhei de presente a companhia da Anna, que veio de surpresa passar umas semanas comigo!
Minha família viajou por quatro estados do nosso Brasil. Começaram por Minas, subiram até a Bahia depois desceram para o Rio para voltar para São Paulo. Infelizmente eu não pude acompanhá-los em todas as viagens, mas fiz o possível para participar ao máximo da experiência de intercâmbio que eles viveram no meu país.
Não sei se vocês já tiveram a oportunidade de trazer para o seu mundo pessoas que vivem uma realidade completamente diferente da sua. Para mim essa foi uma das experiências mais recompesandoras que eu tive até agora. Imaginem vocês as pessoas com quem convivi debaixo de muito frio e neve, num país de primeiro mundo onde tudo funciona com a precisão de uma engrenagem, colocadas na minha frente de chinelo havaiana, blusa do Olodum e nariz vermelho queimado de sol. Imaginem essas mesmas pessoas nadando numa lagoa azul em Ilha Grande (RJ) abraçados naqueles macarrões coloridos que são usados de bóia ou para fazer exercícios de hidroginástica. Imaginem, ainda, essas mesmas pessoas comendo churrasco na chácara da minha avó e tirando foto do pudim de leite condensado para mostrar para os que ficaram na Alemanha todas as novidades que existem por aqui.
Eu poderia passar horas e horas descrevendo para vocês todas os momentos memoráveis que passei com essa família aqui no meu país. Guardo tudo no coração: desde as coisas mais simples como ir ao supermercado ou arrumar a cama até o encontro e a despedida no aeroporto. Foram momentos inesquecíveis que eu só posso desejar que todos tenham a oportunidade de viver um dia.
Acreditem, pois o intercâmbio realmente não tem fim! Isso ocorre porque ele não é exclusivo daquele que pagou o programa e foi viajar. A experiência de intercâmbio envolve os familiares, amigos, futuros colegas de trabalho, namorados, maridos ou esposas, filhos, gente desde o seu cantinho de origem até a sua terra anfitriã. Ele nos acompanhará pelo resto de nossas vidas nas músicas que ouvirmos, nos cheiros que nos trazem lembranças, nas fotos, comidas, cartas, telefonemas e na saudade desse tempo tão mágico que vive escondido num cantinho do nosso coração.
Um beijo grande à todos!!
Camila Teixeira de Almeida

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