Estudante do Summer program agita Araruama
O programa de “summer” tem esse nome porque acontece nas férias de verão para os estudantes do hemisfério norte, só que eles chegam aqui no nosso inverno. Em 2008, isso não fez muita diferença porque no mês de julho teve muito calor e tempo bom.
Ana Lúcia foi a mãe brasileira de Meagan, estudante americana que passou seis semanas no Brasil, em Araruama, RJ. Vamos ver o que ela tem a nos contar.

Muito empolgada, mas com muito medo, chegou o dia 26 de junho de 2008, dia de conhecer pessoalmente Meagan, uma adolescente de 18 anos, moradora de Minster, interior de Ohio, distante 12 horas da praia mais próxima que fica na Carolina do Sul.
O medo era tanto que levei o meu professor do EXCEL, que também é dos meus filhos, junto. Pois como moro em Araruama, Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, nossa volta para casa iria durar no mínimo duas horas.
Minha maior preocupação era o sotaque, se era muito carregado e se ela seria uma pessoa simpática, nas fotos era a simpatia pura.
Meus filhos, gêmeos, com 16 anos, que inventaram isso tudo junto com o professor, eram a figura do pavor em duas pernas.
Sou uma pessoa muito expansiva, falante e desinibida, portanto faço amizade em um piscar de olhos.
Quando chegamos ao hotel para apanhá-la fui ao banheiro, pois assim que ela descesse do quarto pegaríamos a estrada novamente. Aí começa minha aventura: ao sair do banheiro veja aquela americana bem loirinha conversando com o Roberto e o Ruy, eu não perdi tempo abri os braços dei um abraço bem forte, dois beijinhos e já disse logo: aqui são dois beijinhos. Meus filhos mudos estavam e mudos continuaram, alias acho que era o terror que fez com que eles ficassem mudos (rs).
Durante as duas horas de volta para casa Roberto e Meagan conversavam muito, eu às vezes falava alguma coisa, pois costumo dizer que meu inglês é para sobreviver.
Ao chegarmos em casa já era bem tarde e só pude mostrar uma parte da casa pois minha avó e minha mãe já estavam dormindo, instalei Meagan no quarto do Rodrigo pois coloquei-o para dormir com o irmão, pois as instruções do YFU foram bem claras, como era uma moça precisava ter seu próprio quarto.
No dia seguinte mais que depressa liguei para muitas meninas que conheci por terem amizade com meus filhos e pedi help, pois precisava de meninas da mesma idade para interagir com minha hóspede.
Durante esses quase dois meses fomos à praia 90% dos dias, ela conheceu nossa história em Petrópolis, os principais pontos turísticos do Rio, comeu e provou tudo que demos a ela. Participou de festa junina, a caráter e tudo, inclusive dançou quadrilha.
Mergulhamos em Arraial do Cabo e como bons brasileiros fizemos alguns churrascos. Aprendeu a dança do creu, a dança do siri do programa pânico, adorou açaí, comeu feijoada e por fim já estava dizendo “Aí meu Deus!”
Só que ela aprendeu uma coisa que normalmente americanos e europeus não têm “calor”. Ela já abraçava e beijava as pessoas sem precisar explicar que isso era nosso natural, tirei fotos dela tendo a iniciativa em abraçar as pessoas e beijar também.
Os adolescentes que passaram a freqüentar minha casa foram tantos que quase passei a distribuir senha por dia, pois todos queriam sugar o máximo da Meagan.

Para irmos à praia as pessoas começavam a ligar de véspera e se o carro já estivesse cheio, deixava sua vaga marcada para o dia seguinte.
Nessas amizades todas feitas existe uma que foi fantástica! Ela se chama Pámela. Quando disse que ela precisava fazer companhia a mim e a Meagan ela disse que não sabia nada e não gostava de inglês, disse que não era problema.
Ao final desses quase dois meses a Pámela falava inglês com o tempo dos verbos certos, já tinha um vocabulário invejável e hoje ela estuda no EXCEL.
Eu comecei dizendo que para mim não existia passado e nem futuro, só o presente, por isso colocava todos os verbos no presente. Pois a Meagan me corrigia com muito carinho, assim como corrigia minha pronuncia em muitas palavras. Hoje estou melhorando minha escrita pois no segundo dia fizeram um orkut para ela, com isso todos os amigos que ela fez durante esse tempo continuam se comunicando com ela e eu praticando o inglês.
Sei que conquistamos o coração dela, pois ao perguntar o que ela mais gostou do Brasil a resposta era o povo e no dia do embarque, chorou muito. Coloquei minha casa a disposição no caso dela querer voltar para visitar ou voltar para trabalhar e precisar de um lar para morar.
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